Estava ouvindo Sampa e pensei no meu primeiro dia, quando voltar, pra uma São Paulo ensolaradamente quente.
Penso que quero sair caminhando, a pé, até a Vila Madalena desde minha casa, lembrando cada esquina que conheço de cor só pra ver tudo de novo, com olhos talvez turísticos. Chegando ao meu destino, sentar na mesa do meu bar favorito, na calçada, beber quantos chopps me der na telha e, quando cansar, voltar pra casa.
Mas voltar como? de táxi, naturalmente. Só porque no meu primeiro dia na cidade, o dinheiro não vai pesar tanto. Ou melhor, vai ter um terço do peso que aprendi que ele tem aqui. E então pensei no meu segundo dia. Sair de carro começa a voltar a soar natural. E então lembrei que ainda não conheço a lei seca. Ou melhor, conheço, mas a lei seca daqui. A qual estou acostumado, mas não dirijo, então não sou uma ameaça a ninguém. Nem a mim mesmo. O que faz completo sentido e dou total apoio. Assim como entendo que um bêbado no volante é igual, seja ele brasileiro, italiano, japonês ou marroquino.
Mas acontece que a lei tem que estar baseada na realidade da população. E não criada para privá-la de todas as suas liberdades. Não entendam, nunca, que defendo a liberdade de dirigir bêbado e tornar-me uma ameaça. Mas a coisa vai mais além.
Eu nunca mais quero dirigir bêbado em toda a minha vida. E faz sete meses que não faço isso. Mas implementar tal rigor numa cidade como minha São Paulo deveria estar em conjunto com uma série de ações facilitadoras e libertadoras do cidadão paulistano, e brasileiro obviamente.
O direito de ir e vir, da segurança nesses dois trajetos e melhor ainda, que esses trajetos possam ser traçados de diferentes maneiras. O que me traz ao ponto central da questão. A lei seca deve ser implementada. Mas tem de atender a todas as necessidades do cidadão. Tal lei prevê o direito de ir e vir, livrando o condutor sóbrio de qualquer possibilidade de encontrar um outro que lhe cause dano por dirigir sobre influência. Quanto aos maus motoristas, esses ninguém pode controlar, ou melhor, pode, mas não satisfaz a interesses de montadoras automobilísticas.
Ao mesmo tempo que, ao invés de utilizar o contingente policial para fiscalizar regiões de numerosos bares e sim para fazer papel de polícia contra violência em bairros notadamente oprimidos não traz a mesma cobertura midiática que tanto interessa aos políticos da terrinha. Assim como investir em transporte público de qualidade, como ônibus noturnos fiscalizados, maior tempo de cobertura da linha de metrô (e porque não a maior cobertura da rede de metrô por si só) também não. E aqui, a lei seca existe e ninguém reclama. Porque aqui, quem reclama é burro. Porque pode voltar pra casa de muitas maneiras distintas e seguras, melhor até que dirigindo.
Mas em casa é diferente, por milhões de motivos, mas o maior deles é porque há pelo menos meio século a política brasileira se especializou em soluções imediatistas e de alta cobertura da mídia. O famoso tapar o sol com a peneira. E pra todo ser humano inteligente, sabe-se, comprar barato é comprar duas vezes. E é o que perduramos em fazer com as soluções para os nossos problemas de alguma evidência.
Porque para os problemas de maior evidência, como caos no transporte público, no sistema carcerário, na distribuição de renda e educação em áreas marginais e inclusão no ensino fundamental, médio e superior.... bom, para esses, os planos são de longuíssimos prazos. E vai continuar sendo.
E o pior de tudo é que me irrita ter tantas facilidades aqui, sendo que o motivo de tamanhos problemas na América vêm do tempo que nosso ouro era necessário para pagar dívidas com o governo inglês. Mas isso é história. Quero ver o futuro. Ta na hora de a gente assumir o papel de potência que somos. E pensar grande. É apenas o que eu penso...
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1 comment:
Eu não ouvi falar de motoqueiro bêbado sendo preso... mas vi que um playboy velho bateu um porsche em 2 mercedes.
Todo carnaval tem seu fim.
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